Falha bailarina

Tudo o que um blog poderia representar para mim é uma página de desabafo, aqueles relatos da vida cotidiana, o compartilhamento de ideias, pensamentos, daquele dia ruim ou daquela pequena alegria.

No momento estou exausta. Cansada, farta, cheia de vontade de voltar no tempo e mudar toda a minha vida, mas principalmente exausta.

Tenho feito ballet a minha vida inteira. Tenho 16, comecei na creche com o baby class por 1 ano, mais 2 em uma academia como aluna única de uma maravilhosa professora que havia acabado de se formar (acho), e depois a decadência da minha vida: 6 anos em uma escola que eu acreditei que fosse boa. Entrei em uma ótima escola esse ano, mas que eu não conseguia acompanhar para o ano que eu estava e com exigências que nunca me foram cobradas, fiquei três meses dos quais aprendi muita coisa, mas também descobri como essa vida pode ser fria e cruel… Há três meses atrás, me falaram de outra professora, e lá estou, em um lugar em que posso tentar crescer, com alguém que acredita em mim (porque na minha opinião, além de nós mesmos, o melhor é ter alguém que você sente que pode melhorar, que pensa que você não é um caso perdido total).

Eu amo danças, qualquer uma delas. Amo de verdade, com todo o coração e paixão: dançar, alongar, treinar, melhorar, treinar mais, alongar mais, piruetar mais… Se eu pudesse e tivesse o talento, viveria disso. E, por causa da minha antiga escola (a dos 6 seis anos perdidos…) eu tenho grandes dificuldades em tantas coisa! Coisas que eu aprendi errado, com nomes errados e antigos, técnicas pouquíssimas desenvolvidas. Então eu me frusto, a minha raiva não tem tamanho, eu tenho ódio dessa incapacidade, me sinto um lixo por não conseguir colocar na coreografia um simples arabesque completo, baixinho, mas bem posicinado. Não consigo. Tenho só vontade de chorar, de voltar no tempo.

Mas raiva não transforma ninguém em bailarina, nem em médico, diplomata, nem em nada.
Me resta tentar, tentar até depois do fim, alongar em casa, na aula, na dança.
Porque o tempo não vai voltar.

É extremamente estranho, porque, quando estou com extremo ódio, consigo parcialmente traduzir o que penso, mas como estou triste, como agora, parece que as coisas saem tão clichês…

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